sexta-feira, 24 de junho de 2011

O mascote da Copa-2014 deveria ser um elefante, e branco.

Acredito que todos que lêem minha coluna já perceberam que sou contra, e muito, a essa gastança desnecessária para sediar um evento que mais prometo do que cumpre na questão de lucro, não sou contra sem opinião, mas sim, porque é comprovado que países que sediam Copas e Olimpíadas deixam para seu povo uma conta muito amarga para se pagar para as próximas e próximas gerações. Um grande intelectual brasileiro, Demétrio Magnoli, publicou um artigo esta semana, Festa Macabra, enumerando alguns números, para provar que a Copa será “um sorvedouro implacável para os cofres públicos”.
O texto diz, “Antes das Copas, consultores associados às redes mafiosas produzem radiosas profecias sobre os efeitos econômicos do evento. Depois, quando emergem os resultados efetivos, eles já estão entregues à fabricação de ilusões no porto seguinte.” Cita exemplo da última Copa do Mundo, “A África do Sul gastou US$ 4,9 bilhões em estádios e infra-estrutura, que gerariam de imediato rendas de US$ 930 milhões de dólares derivados do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões de dólares dos 309 mil turistas que de fato entraram no país.”
O documento vai além, cita outros grandes eventos, como a Copa de 2002, Eurocopa e Olimpíadas de 2004; “Eventos esportivos globais tendem a gerar ruínas urbanas mesmo em países mais inclinados a zelar pelo interesse público. Japoneses e sul-coreanos ainda subsidiam a manutenção das arenas da Copa de 2002. As dívidas contraídas para as obras da Olimpíada de Atenas e da Eurocopa de 2004 aceleraram a marcha rumo à falência da Grécia e de Portugal”, prossegue. “A África do Sul incinerou US$ 2 bilhões na construção e reforma das dez arenas da Copa. Todas, com exceção do Soccer City, de Johannesburgo, usado para jogos de rúgbi e shows, figuram hoje como monumentos inúteis, conservados pela injeção de dinheiro público. A Cidade do Cabo paga US$ 4,5 milhões ao ano pela manutenção da arena de Green Point, erguida ao custo fabuloso de US$ 650 milhões e usado apenas 12 vezes depois da Copa. Lá, desenrola-se um melancólico debate sobre a alternativa de demolição do icônico estádio, emoldurado pela magnífica Table Mountain”, continua.
Isso que o famoso intelectual esqueceu, ou até mesmo não quiz, computar o já famoso roubo, desvio, mutreta, propina, superfaturamento e tantos outros adjetivos que se emplacam na administração do dinheiro público, o texto cita como positivo a evolução do transporte público em todas as sedes, mas ai eu te pergunto, vale a pena gatar bilhões para enganar o povo com alguns ônibus e pinturas de aeroportos?
Um grande abraço.
Tiago Stavarengo.