Neste país cerca de 26,67* crianças vão a óbito para cada 1.000 nascidas, 151,7 para cada 100.000 habitantes também vão a óbito por doenças cardíacas e circulatórias, juntamente com 72,7 óbitos para cada 100.000 habitantes causados pelo câncer, outras 71,7 para cada 100.000 habitantes morrem por causas externas (transporte, violência e suicídio). De acordo com um estudo da Economist Intelligence Unit no Reino Unido, sobre a qualidade de vida divulgado neste ano de 2010, o Brasil ficou em antepenúltimo lugar entre os quarenta países pesquisados devido a deficiências no tratamento paliativo**, à disponibilidade de medicamentos analgésicos e às políticas públicas para a saúde. Vergonhosamente ficou a frente apenas de países como Uganda e Índia.
O sistema público de saúde, SUS***, foi criado em 1988 pela Constituição Brasileira e tem como três princípios básicos a universalidade, integralidade e equidade. Universalidade afirma que todos os cidadãos devem ter acesso aos serviços de cuidados de saúde, sem qualquer forma de discriminação, com relação à cor da pele, renda, classe social, sexo ou qualquer outra variável. Integralidade (abrangência) afirma que a saúde do cidadão é o resultado de múltiplas variáveis, incluindo o emprego, renda, acesso a terra, serviços de saneamento básico, acesso e qualidade dos serviços de saúde, educação, boas condições psíquicas, familiares e sociais, e têm direito ao pleno e completo cuidado com a saúde, incluindo prevenção, tratamento e reabilitação. Equidade afirma que as políticas da saúde devem estar orientados para a redução das desigualdades entre os indivíduos e grupos populacionais, sendo os mais necessários aqueles para os quais devem ser as primeiras políticas direcionadas.
Um país que quer ser conhecido por sua grandeza, crescimento e conquistas não pode deixar algo tão importante como a saúde passar despercebido, sem investimentos, infra-estrutura, aperfeiçoamento de pessoal e leitos, um cidadão não pode esperar para receber atendimento médico, não pode esperar para receber atendimento especializado e não pode se sujeitar a passar sua vida dentro de ambulâncias que levam os enfermos a hospitais em grandes centros, também, completamente lotados e muitas vezes sem os necessários leitos. Hoje no Brasil se trata leitos de hospitais como vagas de hotéis, quem pagar mais, fica com o quarto, e como o verdadeiro cidadão brasileiro depende desta política pública de atendimento à saúde e não tem nenhuma condição de investir seu capital em tratamento particular ele acaba nessa roda-gigante do descaso, com mau atendimento e “sorte”, pois é isto mesmo que se precisa, sorte que consiga um leito, que consiga os medicamentos necessários para seu tratamento, que consiga os exames necessários para seu verdadeiro diagnóstico.
No Brasil para falar da saúde precisaríamos de três, quatro, melhor, várias semanas, tamanho é o descaso, mas aqui fica o nosso apelo, vamos lutar para fazer valer os três princípios básicos da saúde, pois se é constitucional então deve-se cumprir, e que os governos parem de fingir que está tudo bem com a saúde da nossa gente.
Um forte abraço a todos, que 2011 seja grandioso para todos nós, com saúde e paz.
Tiago Stavarengo.
* Fonte: Ministério da Saúde.
** Paliativismo é o conjunto de práticas médicas que visa oferecer dignidade e diminuição de sofrimento mais comum em pacientes terminais ou em estágio avançado de determinada enfermidade.
*** SUS: Sistema Único de Saúde.
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